domingo, 30 de abril de 2017

Aspirante a escritora


Tentando me definir, aos vinte e poucos anos, me autodenominei “aspirante a escritora” e comecei a pensar nisso. O que me faz, de fato, ser ou não escritora é o simples ato de escrever sobre qualquer coisa. A princípio, fiquei triste por pensar que meu único dom é algo simples, que pode ser aperfeiçoado e dominado por qualquer pessoa, então continuei pensando a respeito, sobre quantas pessoas realmente dão importância à escrita, se dedicam e gostam disso e novamente me senti capaz de, em longo prazo, fazer a diferença com isso.

Penso na trajetória que já percorri e no quanto ainda falta, tento lembrar quando decidi me intitular tal coisa e quando o comecei a ser, na prática. Desde criança, os recreios passados na biblioteca, semanalmente, a procura de em qual livro iria me aventurar, foram tantos amigos que carreguei no peito, colo e mochila, que não sou capaz de lembrar todas as histórias. Depois, arrisquei-me a começar a escrever vez ou outra sobre meus dramas adolescente e eis que hoje releio e dou risada – mas também me orgulho de como tão nova eu já conseguia deixar qualquer história banal dramática o suficiente pra se tornar ficção.

Escrever é uma terapia, talvez para quem me leia, mas principalmente para mim, que escrevo. Sou daquelas que faz listas sobre o que é preciso comprar, o que precisa ser feito no decorrer da semana ou de coisas que não posso esquecer. Tenho a ânsia de tirar da minha cabeça alguma coisa que só sai, permanentemente, através da escrita. Seja algo superficial ou importante, precisa ser dito, descarregado. Depois disso passa e quando, por acaso, releio um escrito meu, dou risada de que aquilo tivesse me incomodado a tal ponto.

Incômodo esse que não necessariamente é algo ruim. Este texto é um exemplo disso. Talvez, de fato, eu não seja nada querendo ser alguma coisa. Com absoluta certeza existem centenas de milhares melhores ou mais corajosos que eu nessa arte. Não recebo nada em troca, além da paz que isso me dá, alguns elogios sinceros e tantos outros superficiais. O fato é que discorrer sobre causos, verídicos ou inventados, é a pedra que eu vim a Terra para lapidar. Em uma década de prática ainda não cheguei aonde desejo, mas terei mais alguns pares de vinte anos para chegar lá.

Enquanto isso, eu escrevo sobre o que necessito ou incomoda, o que motiva ou inspira. Escrevo sobre sonhos e vontades, medos e verdades. Crio documentos que vão do anonimato à lixeira, invento histórias e penso que, um dia, as publicarei. Entre uma vírgula e outra vou lapidando esse dom e no percurso (e com sorte) vou tocando o coração de quem compartilha desse mesmo amor comigo, que é poder brincar, se sensibilizar e ser curado através de histórias e palavras.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Amor em signos

Estava pensando sobre o amor.
Em uma conversa entre amigos, falávamos sobre os signos que são apegados e os que são tachados de "sem coração"; quando eu, taurina, comentei a respeito da minha experiência com um aquariano.

Na conversa, discutíamos acerca de como lidar com as amizades com pessoas do sexo oposto, sair ou não sem o companheiro em uma sexta-feira à noite, entre outras coisas. Comentei que, quando namorava, não existia isso de "você não pode", ou "você não vai". Estávamos juntos sem deixar de estarmos livres.

Um amigo – capricorniano – brincando disse que eu poderia ministrar palestras às mulheres, para elas entenderem o que levei meses para entender sobre amor e liberdade. Contei-lhe que aquilo foi um aprendizado e tanto e que, a partir de agora, é pré-requisito indispensável para um relacionamento futuro.

Comentamos, também, sobre homens que namoram, mas se veem "obrigados" a conversar com amigas mulheres às escondidas, para evitar brigas. Mal sabem suas namoradas que eles eram amigos dessas mulheres antes de se tornarem seus namorados; e, além disso, quanto mais proibimos, mais chances damos ao outro de mentir para nós.

Quando meu ex-namorado, aquariano, falava sobre alguma amiga, ou quando eu – taurina – falava de algum amigo, era tão normal como quando discutíamos o sabor da pizza que iríamos pedir ou escolhíamos o que assistir no Netflix. E, devido a essas reflexões me vi, mais uma vez, pensando sobre o amor.

Antes de tudo, amar não é sinônimo de estar junto a alguém. Conhecemos muitos casais que sobrevivem de aparências e por comodidade, o que nada tem de bonito. Conhecemos, também, tantas outras pessoas que se amam o suficiente para estarem juntos, mas não estão.

Certa vez me disseram: "Amar é querer estar o tempo todo juntos, não só quando se quer." Juro que, na ocasião, ri da contradição do meu colega, afinal ele mesmo assumiu que, no fim das contas, estar junto é uma questão de querer. Disse-lhe que o fato de uma pessoa querer estar sozinha um dia, uma semana – ou o tempo que for – não anula o amor dela por outrem.

Refleti sobre o amor pois, quando mais nova, pensava da mesma forma que esse colega; que vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, não é suficiente quando a gente ama. Porém, com o tempo, compreendi que isso nada mais é do que falta de amor e interesse em si próprio, revelando o medo da solidão que existe em toda e qualquer pessoa.

Atualmente – apesar de termos falado sobre signos e suas características no amor – penso que amar nada mais é do que um querer bem. Confiar em alguém, em si mesmo e no relacionamento em que você se encontra. Pois, se você estiver com alguém que é livre o suficiente, existem duas possibilidades: ou essa pessoa sempre voltará para você, não importa por onde ela vá; ou ela não voltará, mas você se ama e a ama o suficiente para ficar feliz pela decisão dela e feliz com sua própria solidão.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Magia de carnaval


Com tanta gente que odeia carnaval, inclusive eu que, por anos, torci o nariz a respeito dessa festa, me dou ao direito de falar sobre e com, talvez, propriedade no assunto. 

Concordo plenamente que o Brasil tem questões maiores e mais importantes a tratar do que mimar os gringos com as belas moças e as músicas baixas do país, mas gente, sério mesmo, vocês não se sentem bem em um evento de carnaval, cantando marchinhas?

Cheguei ao trio elétrico com aquela vontade de estar em casa dormindo ou assistindo Netflix, confesso. Mas as pessoas têm uma energia tão boa, pura e mágica que é impossível que alguma tristeza ou mau humor prevaleça.

Meia dúzia pega o celular para registrar o momento em redes sociais (assim como eu e meu grupo de amigos), mas esses registros são superficiais perto dos sorrisos sinceros que são distribuídos aqui. 

Talvez seja porque eu sou apaixonada por gente e fique viajando no gesto delicado, quase despercebido, de cada um aqui. No carnaval tem coisas ruins? Infinitas. Mas deixe-me falar das boas:

·         Sorrisos constantes e involuntários entre pessoas que nunca trocaram um oi;
·         Cumprimentos calorosos e abraços aos grupos vizinhos;
·         Caça talentos de pessoas que têm um repertório de músicas populares infinitos;
·         Caça talentos de dançarinos natos, que se dedicaram a outras profissões em suas vidas;
·         Compartilhamento de lanche (ou bebidas), no estilo piquenique;
·         Coreografias ensaiadas em casa com a família, funcionando em perfeito sincronismo entre centenas de pessoas.

Dentre mil outras situações compartilhadas, que afetam de maneira singular cada um que está ali. Alguns prestam mais atenção às pessoas, outros às roupas e fantasias, outros prestam atenção nas músicas, alguns que vão procurar um amor que dure após o carnaval.

A grande mágica desses dias é que até mesmo aqueles que vão para curtir como se não houvesse amanhã (e/ou fazer uma lista quilométrica de bocas que beijou) estão entregues a magia que pode acontecer. Se você abrir seu coração, vai perceber que o calor humano presente ali não está somente no sentido físico, vai além, todos ficam conectados como se fossem irmãos.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Lembranças


Ontem fui caminhar no parque da cidade onde moro e vi vários adolescentes com mochila de escola, alguns casais, outros em grupinhos de amigos e fiquei nostálgica, tentando puxar na memória quando era eu ali. Com isso, achei graça de como esquecemos rápido das coisas que não temos o costume de pensar no dia a dia e, depois de alguns anos, quando lembramos daquilo, é como se fosse um sonho distante, quase como se não tivesse acontecido.

Eu já tive um namoro de escola, aonde íamos ao parque depois da aula por não ter dinheiro nem lugar para ir, já passei tardes naquele parque com tantos amigos que, ao tentar me lembrar dos momentos, me escapam alguns. Já fiz trabalhos de escola e até reuniões com a turma do ensino médio, isso tudo me parece tão distante agora.

Com isso, por um lado fiquei triste por não termos (ainda?) um HD externo, que fosse possível salvar tudo o que não cabe em nossa memória, mas que não queremos perder, porque aquele momento valeu ouro. Por outro lado fiquei aliviada, pois ao mesmo tempo em que perdemos momentos felizes, perdemos também medos e mágoas de coisas que passamos, podendo, assim, seguir em frente e repetir os mesmos erros, até que se tornem ações assertivas.

Até ontem eu pensava, sobre alguns momentos muito bons que eu vivi ao lado de pessoas muito boas: "Não posso deixar isso morrer, preciso escrever sobre isso, ou tirar uma foto que seja, para que daqui dez anos eu me lembre de que isso foi real.", mas ontem percebi que não é possível, verdadeiramente, capturar e guardar sentimentos do passado. E não fiquei triste ao constatar esse fato. 

Pelo contrário, me dei conta de que, se eu encher meu "HD" com memórias de um passado, meu presente nunca será bom o suficiente. Isso porque a saudade, bem sabemos, deixa tudo com um tempero adocicado. Se eu passar pela mesma experiência pela oitava vez, comparando-a com as sétimas anteriores, eu já vou esperar um resultado que com certeza será diferente do real e só esse fato vai me deixar frustrada. Agora, se eu me permito apagar essas lembranças, ou melhor, deixa-las em desuso, cada vez que eu fizer uma coisa repetida, mas como se fosse minha primeira tentativa, aquilo será mágico.

É preciso saber deixar que o passado fique em seu lugar, por mais felizes que fomos com todos aqueles amigos, amores e lugares, para que novos amigos, amores e lugares preencham nosso hoje. Aquela lembrança boa não vai se perder mesmo que eu não me agarre a ela porque sempre tem um gatilho (como ontem no parque) que irá despertar essas lembranças. E as que não forem despertadas? Deixe-as ir! Vai ver nem era tão bom assim e não é necessário lembrar-se de tudo. O gosto da saudade pode até ser doce, mas é também um pouco amargo. O gosto do presente é o que se deve buscar sentir. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Formas de amar


Muitos dizem que só se ama uma vez, outros dizem que o amor está em tudo. Eu concordo com o segundo grupo. Há um tempo um moço me disse que não acredita no amor, até hoje me pergunto: o que ele quer da vida, então? Que sentido há viver, se não pelo amor? Bom, não falo mais com esse sujeito porque de gente que tem pedra no peito eu quero é distância.

Outro dia fiz a mesma pergunta para outra pessoa e ela deu a resposta que mais se parece com o que penso: “Sim, mas não acredito que haja diferença, digo, amamos nossos pais, familiares, amigos e nosso parceiro da mesma maneira, mas demonstramos esse amor de maneiras diferentes.” Achei lindo o que ele tem no coração: amor ao próximo, seja quem for.

Sou uma eterna apaixonada: pela vida, pelas coisas, mas principalmente pelas pessoas. Sendo assim, lógico que tenho historias para contar, dessas que chorei o suficiente para dizer: “Pra mim já chega!” Mas nunca chega. Amo o suficiente para me decepcionar um milhão de vezes e amar um milhão e uma mais.

De qualquer maneira, a resposta desse segundo moço me fez pensar nas possíveis e infinitas formas de se demonstrar amor. Eu sempre me perguntava: por que amamos sempre, mas cada vez é diferente? A resposta dele veio a calhar para eu pensar na minha própria teoria. Teoria essa de que se cada um de nós é um ser único e diferente de todos os outros, como haveria uma fórmula universal de amar? Não há.

Alguns, como eu, amam com palavras, outros mais seguros ou, talvez, fechados, amam com gestos. Os confiantes amam com os dois. Os mais felizes amam, lógico, com o sorriso. Os religiosos amam através de orações. Os céticos amam zelando. Os deprimidos amam aos prantos. Os desacreditados podem amar sem mesmo tomar ciência de que o que sentem é, de fato, amor.

Mas nos magoamos e brigamos porque queremos ver que o amor das outras pessoas é demostrado exatamente ao nosso modo, não somos donos de nada além de nós, é egoísmo querer que o próximo ame à sua maneira se você não souber amar à maneira dele.

O que está faltando é interpretação. Não só eu, como o mundo inteiro, precisa entender os sentimentos e as mais diversas formas que ele pode ser expresso. “Você é minha vida.” Pode não significar nada perto de: “Está tudo bem?” Se a primeira frase sair da boca de alguém que não te quer bem de verdade e a segunda de alguém que arriscaria a própria vida por você.