sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Desgaste


Será que você não sente minha falta? Que prefere ficar sozinha a estar
comigo? Você não sente saudade quando escuta aquelas músicas que escutávamos?
Será que seu passado a meu lado foi tão infantil que você prefere nem se
lembrar?

Você não escreve mais no teu diário? Ao menos você le o que escreveu,
não le? Você falava de mim, das coisas que passávamos juntas, isso não dá
saudade? Será que, quando você vai viajar, você não sente aquela vontade de me
ligar para me levar? Mesmo que depois lembre que isso não acontece mais, sentir
vontade é um grande avanço.

Sim, porque, às vezes, quando vou sair eu penso nisso, mas depois lembro
que isso é passado, lembro que hoje em dia uma não é mais a sombra da outra,
não somos mais nada, quase mais nada. Será que só eu fico aqui tentando achar
uma maneira de fazer tudo se acertar? Ou pelo menos uma lembrança que mostre
que estamos bem, mudadas sim, mas bem.

Antes você queria estar comigo o tempo todo, antes eu era a melhor
amiga, a melhor companhia, podia até ser chata em tempo integral e brigar com
você, mas era assim que você gostava.

Será que você ainda conversa com Deus? Você ainda quer que Deus cuide de
mim e que eu seja feliz? Você ainda quer me fazer feliz? Não se trata de um
casal, não se trata de amigas, mas de irmãs, se tratava de duas irmãs.

E agora, o que eu faço com essa vontade idiota de te ligar para te
contar aquelas coisas bobas que eu vejo? O que eu faço com a vontade de te
chamar para vir aqui? Já que sei que você não viria. O que eu faço com tudo
isso? Não faço nada? Não consigo entender a onde foi que nos perdemos. Não
quero que seja aquela coisa de: almoça aqui que eu janto aí, amanhã eu almoço
aí e você janta aqui, não! Você tem outros amigos e eu também, você está
crescendo e eu também, você sai para se divertir, ao seu modo e eu faço o
mesmo, ao meu.

Não precisamos ser tão grudadas, não precisamos sair juntas a todos os
lugares, mesmo porque eu detesto funk e você, rock. Só que resumindo todas
essas minhas perguntas, te pergunto apenas isso: A onde foi parar sua vontade
de ficar comigo? Não sei por que prefere ficar aí sozinha a pegar uma tarde
para conversarmos, apenas isso, rir, sem se lembrar de passado nem pensar em
futuro, sem brigas e cobranças, e depois, quando anoitecer?

Ora, vai cada uma para teu lado, você dançar um funk, talvez. E eu atrás
de um velho bar de rock.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Não ter o que dizer


É difícil começar sabendo que dessa vez o tema não é amor, quer dizer, talvez seja, no final das contas, mas não o amor que costumava descrever. Porque, amor não é só amar alguém, por que não alguma coisa? Ou tudo. Quer dizer, não preciso estar apaixonada para amar, assim como não preciso amar para estar apaixonada. Paixão vira amor, amor que é amor não acaba, será? Porque, se não cuidarmos das rosas, elas morrerão, mas não quer dizer que nunca foram rosas, compreende? Quer dizer, pode ter sido amor um dia, mas se não foi cuidado, murchou.

Então vem aquele processo de reaprender, reamar, sozinho, mas não alguém, alguma coisa, tudo. Se amar, amar até a segunda-feira, pobrezinha, amar o frio que os solitários desprezam, mas que pode ser uma ótima companhia, amar até o cigarro, mesmo que te faça mal, amar o mundo, mesmo que ele não seja lá aquelas coisas. Amar o vizinho, amar o próximo, lembra?

Ocupar a mente... Não pensar em nada, ao mesmo tempo que se pensa em tudo, dizer nada, como estou fazendo agora. Só enrolar e enrolar para preencher um vazio que você nem sabe mais onde está. Por que vazio? Por que todo mundo tem ou diz ter esse maldito vazio? Penso eu que seja falta de Deus, mas pra tanta gente, quem é Deus nesse mundão todo? Mas te digo, Deus é tudo. Porque esse vazio maldito só aparece quando ele não está. Sim, eu afirmo, ninguém está plenamente satisfeito, nem eu, eu confesso.

Dinheiro? Tenho pouco, quero mais. Casamento? Nossa, que falta de sexo! Felicidade? Que nada, preciso de mais. Trabalho? Quero mais que meu chefe, aquele... Se exploda! Carreira? Trabalho e trabalho sem ser reconhecido. Minha casa? Uma porcaria. E por aí vai, você sabe bem como é.

Vamos fazer assim, se você parar eu também paro, quer dizer, de reclamar, de dizer e não dizer, de viver sem ser feliz, de existir sem ter porquê. Que mal há em ver beleza onde não tem? De se apaixonar logo de cara, depois quebrar a cara, acontece. Que mal há em achar lindo um dia de chuva, ou de olhar esses pássaros que a gente vê todos os dias, mas nunca vê beleza e, por ironia, achá-los bonitos, pelo menos dessa vez. Se você acordar dizendo como o dia está lindo, não importa o quão fechado ele esteja, juro que vou tentar mudar também, vou parar de dizer só por dizer, de pensar sem ter no que.

Porque, uma vez ouvi que sem você a humanidade jamais seria a mesma, imagina só se todos acreditassem nisso? Se todos fizessem por onde, se ninguém se acomodasse, ah, que maravilha seria o mundo! Em vez de, de vez em quando, sair para beber ou escrever um monte de coisa sem sentido... Como se, não escrevendo você acabasse morrendo. Entende? Sei que entende, você sabe, pra mim, se não escrever não tem graça, mas agora me vejo em uma sinuca de bico, falei tanto sem ter nada a dizer que não sei como parar. Quis dizer a você: seja feliz. Mas eu não sou, ainda.

Eu te prometo, eu me prometo, amanhã, mesmo que o mundo esteja caindo aos pedaços, será o dia mais lindo e será como se fosse o último, amanhã e todos os dias... Farei por onde para não ser apenas mais um corpo no espaço.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Amor


Amor é inverno, verão, outono e primavera. 
Amor é agora, depois e sempre. 
Amor é o universo, a natureza, Deus, você e eu. 
Amor tem pressa, mas anda devagar caso precise. 
Amor perdoa mesmo erros imperdoáveis, justamente por isso perdoei tanto você e precisarei ser perdoada agora. 
Amor submete tanto que você não sabe mais quem você é. 
Amor é amor se é para sempre, mesmo que você fuja. 
Amor persegue, amor domina, amor invade. 
Amor faz brigar sem motivos, faz sumir da vida um do outro com a sensação de que desse ponto em diante nada será bom como antes. 
Amor persegue até que você o perceba, até que você o aceite, até que você o perdoe, até que você o queira. 
Amor abala, bagunça, faz chorar, faz pensar, faz colocar na balança: o amor ou o mundo.
Amor sem mundo é amor, mundo sem amor é nada.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Par de olhos


Adoro esse negócio de olhar no olho, assim pra dizer a verdade sem dizer, só de olhar e entender, sentir, sabe? Não sei como é que pode gente como a gente, que tenta tanto dizer sem falar, usar os olhos para mentir descaradamente. Fazer até curso disso, treinar no espelho e tudo isso mais. (Pra que?) Só para magoar a gente até por dentro, quando você le um olho errado e sai triste, frustrado, baleado. Mas deixa, porque depois compensa por isso e tudo mais achar um par de olhos onde se le até o cardápio do dia, com a maior facilidade, tendo a certeza de que o que está ali, está ali... Dentro.

sábado, 1 de outubro de 2011

No meu mundo

Dizem que sou louca, mas no meu mundo estresse é passageiro e não doença controlada por remédios, no meu mundo eu posso abraçar meu melhor amigo e pedir colo a ele que ele jamais negará, no meu mundo minha melhor amiga não vai competir comigo sobre quem tem mais bunda ou menos barriga. 

Dizem que sou louca, mas eu nem ligo porque no meu mundo em todo o lugar que passo escuto músicas que me fazem querer cantar, que me fazem sorrir, que me fazem sonhar. E se por acaso eu sorrir para alguém – não se assuste – mas no meu mundo, esse alguém corresponderá ao meu sorriso, mesmo que eu esteja de chinelo e minha roupa esteja fora de moda.


Dizem que sou louca, mas no meu mundo, se eu perguntar a alguém o que é roubo, ódio, rancor e todas essas palavras que vocês insistem em me explicar, as pessoas dizem que não conhecem. No meu mundo as pessoas gostam do verde, mas do verde das árvores, não do dinheiro.


Eu nem ligo se por mais de três vezes fui chamada de louca, mas quando estou de muito bom humor convido uma dessas pessoas que me julgam tanto a vir conhecer meu mundo. E quem disse que depois disso elas voltam?