sexta-feira, 1 de março de 2013

Caber



Sempre tem um divisor de águas, o que você era antes e o que você se torna. O que quer dizer, talvez naturalmente, que vocês não foram feitos para ficar juntos porque não cabe mais, não faz mais feliz, outra pessoa começa a caber.

Não existe essa de ser feito pra ficar junto, ser a tampa da panela, amor eterno e pronto. Isso tudo foi inventado pra quem vive acomodado se sentir feliz. Nem falem que sou fria demais, sou realista, tudo que não cabe mais eu jogo fora. Roupa, sapato, lembrança.

Acho tão feio quem não joga. Sai com roupas do verão passado, usa sapato apertado, fica ao lado de gente que não faz feliz. Coisa incômoda essa de viver no lugar errado. O tempo é presente, passado morreu faz um segundo.

Eu tive amigos que duraram anos e alguns foram coisa de momento, os de momento, quase sempre, foram os mais verdadeiros. Porque ficaram cem por cento do começo ao fim. Não teve desgaste, não teve ninguém soltando o outro lado de pouquinho em pouquinho. E sem paranoia na hora de ir embora, entende? Não se apegue ao que não funciona mais.

Gente que inspira. Que faz minha bochecha ficar rosa, meu coração até bater diferente de vez em quando, inspira a ler, criar, imaginar, até vontade de dançar me dá. Se essa pessoa vai embora em dois ou dez dias ou ficará para sempre? Não importa. Enquanto couber eu vou vestir.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Pelos lados



Só pra não esquecer como a liberdade é boa. Sorrir, rir até doer a barriga e a bochecha. Andar descalça. Sentir o vento batendo no teu corpo e voar. Ir a qualquer lugar sem tirar os pés do chão. Sonhar e não deixar ninguém entrar no meio disso.

Só pra não esquecer também que ninguém é dono de ninguém. Que ciúme só é bonito em novela e que o amor pode acabar a qualquer momento. Ouvi dizer que amor é igual jardim e se não cuidar ele morre, faço meus votos pra que isso seja reconhecido mundialmente.

Verdade. Ou você acha que as coisas sobrevivem sem cuidados? Olha amigo, eu não sobrevivi e fui embora. Sai tão clara que não quero nem olhar pra trás. Triste te dizer, mas foi como se eu tivesse sido libertada. E ai de você se disser que isso é dor de cotovelo.

A dor veio antes de eu me olhar no espelho. Antes de eu perceber, mais uma vez, que é errado depositar a vida na vida do outro. A nossa vida a nós pertence. Portanto, dei tchau ao comodismo e caminhei ao meu encontro.

Viver comigo é tão bom que vou fazer exatamente como disse Clarice Lispector: "Não procure alguém que te complete. Complete a si mesmo e procure alguém que te transborde." Alguém que também se ame tanto e que juntos, a gente faça cair felicidade pelos lados.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Emaranhados



Mundo. O nosso e de cada um. Imagem, gosto, cheiro. Som, valor, sentido, toque, respiração, milímetro. Entende? Milímetro, intensidade. As palavras estão soltas porque cada uma trás um significado próprio, imenso e absurdo, para e pensa em cada uma. Palavra, nó.

Dentro dessas palavras vêm nossos sentimentos (amor, ódio, medo, ansiedade...), elas movem o mundo e fazem com que ele, apesar de tão único, seja um todo completamente emaranhado.

Uma das minhas maiores vontades é sentir o que o outro sente, absorver o sentido que cada um dá a essas palavras. Conhecer vários mundos e o que eles têm em comum, porque o que houver em comum é o que há de mais importante.

A morte e o fim do mundo não são sinônimos. Alguém pode estar completamente morto em seu mundo e continuar vivendo, assim como quem tem fé continuará vivendo além da morte.

Agora, todos aqueles clichês: "Valorize seu tempo.", "Ame o próximo como a si mesmo.", "Aproveite o dia.", "Não guarde mágoas." E infinitos mais que fazem todo o sentido e devem ser ouvidos porque, justamente por termos o poder de tocar no mundo do outro com o nosso, devemos cuidar do nosso como se fosse a coisa mais importante que temos.





Abaixo o trecho que me fez começar a pensar no assunto desse texto. 
Livro muito bom e vale a pena ser lido!

"– O que é destruir o mundo? – pergunta.
– É destruir uma simples vida. O universo acaba ali. Tudo aquilo que a pessoa viu, experimentou, todas as coisas más e boas que cruzaram o seu caminho, todos os sonhos, esperanças, derrotas e vitórias, tudo deixa de existir."
Paulo Coelho em O Vencedor Está Só.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pertencer


Mania feia que a gente tem de achar que somos donos de tudo. Donos do mundo, dos nossos sentimentos, mal somos donos do que de fato nos pertence, quem dirá do resto. Resto maior são as pessoas. Esse é o mal que prevalece, achar que somos dono do outro.
A gente sempre escuta que a mãe cria o filho para o mundo, mas até parece que ela pensa assim quando a gente começa a voar, é difícil não achar que não é nosso. Mas só o amor é nosso, o outro não. O amor que sentimos e que nos é sentido, e só.

Essa historia de que o que é nosso volta tem um bom fundamento, mas não que seja nosso. Mas de verdade, a gente fica perto de quem sente como a gente, quem fala a nossa língua, quem interpreta o que o nosso corpo fala, perto, mais ainda, de quem lê a gente quase sem falhas, que nos descreve perfeitamente.


Não diz que o outro não vai, não pode, não faz, ninguém compra ninguém em loja. A gente não é feito sob medita nem pra si próprio, quem dirá pra um estranho que trombou contigo por aí e te fez amar, amar é se dar ao outro sem que o outro prenda, sabe?


Amar, compartilhar, se doar, mas não ter. Ter não pertence ao amor. Ficar pertence, voltar, acampar no outro até, mas possuir jamais. Se alguém fica, chora de alegria, agradece a Deus, sorria, se imagina gigante nesse mundo porque você é bom pra alguém.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Desgaste


Será que você não sente minha falta? Que prefere ficar sozinha a estar
comigo? Você não sente saudade quando escuta aquelas músicas que escutávamos?
Será que seu passado a meu lado foi tão infantil que você prefere nem se
lembrar?

Você não escreve mais no teu diário? Ao menos você le o que escreveu,
não le? Você falava de mim, das coisas que passávamos juntas, isso não dá
saudade? Será que, quando você vai viajar, você não sente aquela vontade de me
ligar para me levar? Mesmo que depois lembre que isso não acontece mais, sentir
vontade é um grande avanço.

Sim, porque, às vezes, quando vou sair eu penso nisso, mas depois lembro
que isso é passado, lembro que hoje em dia uma não é mais a sombra da outra,
não somos mais nada, quase mais nada. Será que só eu fico aqui tentando achar
uma maneira de fazer tudo se acertar? Ou pelo menos uma lembrança que mostre
que estamos bem, mudadas sim, mas bem.

Antes você queria estar comigo o tempo todo, antes eu era a melhor
amiga, a melhor companhia, podia até ser chata em tempo integral e brigar com
você, mas era assim que você gostava.

Será que você ainda conversa com Deus? Você ainda quer que Deus cuide de
mim e que eu seja feliz? Você ainda quer me fazer feliz? Não se trata de um
casal, não se trata de amigas, mas de irmãs, se tratava de duas irmãs.

E agora, o que eu faço com essa vontade idiota de te ligar para te
contar aquelas coisas bobas que eu vejo? O que eu faço com a vontade de te
chamar para vir aqui? Já que sei que você não viria. O que eu faço com tudo
isso? Não faço nada? Não consigo entender a onde foi que nos perdemos. Não
quero que seja aquela coisa de: almoça aqui que eu janto aí, amanhã eu almoço
aí e você janta aqui, não! Você tem outros amigos e eu também, você está
crescendo e eu também, você sai para se divertir, ao seu modo e eu faço o
mesmo, ao meu.

Não precisamos ser tão grudadas, não precisamos sair juntas a todos os
lugares, mesmo porque eu detesto funk e você, rock. Só que resumindo todas
essas minhas perguntas, te pergunto apenas isso: A onde foi parar sua vontade
de ficar comigo? Não sei por que prefere ficar aí sozinha a pegar uma tarde
para conversarmos, apenas isso, rir, sem se lembrar de passado nem pensar em
futuro, sem brigas e cobranças, e depois, quando anoitecer?

Ora, vai cada uma para teu lado, você dançar um funk, talvez. E eu atrás
de um velho bar de rock.