Ultimamente participei ativa e também indiretamente sobre conversas com os temas: "O que você quer para o seu futuro?"; "Trabalhe com aquilo que ama e não terá de trabalhar." E, ainda: "Corra atrás dos seus objetivos a longo prazo." E todos esses assuntos me fizeram pensar, em círculos.
No meio dessas conversas eu ouvi de alguém: "Meu objetivo é ser feliz." Fiquei com inveja de um objetivo desse em pleno século XXI e não me contive em prestar atenção na conversa. Quando questionado sobre carreira e bens materiais esse mesmo alguém respondeu: "Você não é sua carreira nem o que você tem; você é feliz?" Eu, ouvinte, a moça, ativa na conversa, entramos em conflito existencial, tenho certeza.
Houve um tempo em que eu tinha um salário razoavelmente bom para minha idade, muitos compromissos e estresses – desnecessários para a minha vida pessoal – e muita, muita coisa nova no meu guarda roupa ao final de cada mês. Confesso que chorei por conta do trabalho e não consegui dormir; desejei um final de semana só para mim, com nada para fazer.
Três anos depois eu consegui o que queria – graças à crise – e sinto falta daquele salário razoavelmente bom e roupas que nunca serão usadas. Confesso que dormi, descansei, saí, matei saudades porque eu tive tempo livre, voltei até a ser bastante criativa e nunca mais chorei por estresse - de terceiros.
Me vem à mente, ainda, aquele famoso ditado: "Quem tem tempo e disposição, não tem dinheiro; quem tem dinheiro e disposição, não tem tempo; quem tem tempo e dinheiro, não tem disposição." E parece que, de fato, nunca estamos completamente satisfeitos, é necessário abrir mão de algumas coisas para buscar outras maiores.
Mas, o que são essas coisas maiores? Paro para pensar em realização pessoal e vejo como tantas pessoas a confundem com realização profissional, status, dinheiro. Ter trás uma falsa sensação de alegria que muita gente se esquece que ser é o mais importante, passando, assim, grande ou toda parte de sua vida correndo atrás de preencher a conta bancária, em vez da alma.
Com esse tempo de folga percebi o que andei fazendo errado, podendo assim recomeçar da maneira certa. Seguir o objetivo daquele alguém que eu ouvi certo dia: "Ser feliz." Sem precisar me importar com o que falam e impõem por aí, afinal, o principal objetivo de vida é a felicidade. E eu? Bom, vou correr atrás da minha.
quinta-feira, 29 de junho de 2017
domingo, 28 de maio de 2017
Emma
Quando pequena, nunca tive oportunidade de ter um animal de estimação, além dos peixes Beta que minha mãe me dava. Admirava a dedicação, amor e carinho com que meus amigos e familiares cuidavam de seus cachorros e gatos, sonhando com o dia que eu tivesse o meu, imaginando qual nome daria e como ele seria, fantasiando como seria minha ligação e paciência com ele.
Nada do que eu imaginei chegou perto do que realmente foi. Eu não escolhi, mas fui escolhida. Minha casa vivia com um gato ou outro a me visitar; até que a Emma chegou e ficou. Nos primeiros dias ela foi chamada de Robin, pois não sabíamos se, de fato, ela era fêmea. Com o tempo, ela foi ganhando espaço em casa, inclusive em cima da cabeça da minha mãe, até finalmente roubar nossos corações.
Quando ela já estava dominando todo o território que quisesse, Emma começou a ter um sangramento e precisei deixá-la dormir do lado de fora, estávamos tão acostumadas a dividir a cama que não sei qual coração se partiu mais, o meu por não poder mexer nela durante a noite ou o dela por não poder deitar em cima das minhas costas.
Levei-a ao veterinário, marquei ultrassom; passeamos de ônibus e de Uber, a vi assustada em um ambiente com pessoas que nunca vimos, mas me mantive firme, para acalmar a ela e a mim. Quando ela foi operada, fiquei do lado de fora como uma mãe ansiosa e aflita, a cirurgia acabou rápido, mas a anestesia duraria ainda algumas horas.
Lembro do veterinário me explicando tudo e o quão difícil seria para minha mãe e eu darmos remédio a ela; passei no petshop para comprar a roupa cirúrgica e os remédios e fomos para casa. Cheguei e a vesti antes que acordasse, mas ela estava tão imóvel que eu, mãe de primeira viagem, chorei copiosamente em desespero, com medo de que ela não acordasse mais.
As primeiras horas após a cirurgia, onde eu dediquei meu dia totalmente a ela, pois ela mal parava em pé, os primeiros dias em que minha mãe e eu facilmente dávamos remédio, toda minha paciência, preocupação e dedicação com um ser que não podia me falar nada, mas deitava no meu colo com aquele ronronar em agradecimento que aquecia meu coração.
Os dias finais do remédio, onde ela estava forte o suficiente para dificultar o nosso trabalho, quando ela voltou a comer normalmente, miar quando via minha mãe perto do pote de ração, ou suas travessuras em cima do guarda roupa e das taças da cozinha.
Quando chorei e ela ficou ao meu lado, me olhando e colocou minha mão entre suas patas, o que me fez chorar mais ainda. Quando eu deitava na rede para ler, ela dava um jeito de subir e ficar ali, até que ficasse desconfortável e ela descesse e deitasse no chão, ao meu lado. Ou quando eu fazia abdominais e ela se deitava em cima de mim, claro.
Tantos pequenos e infinitos detalhes que vistos de fora não têm importância, mas que você, dona/mãe, mata e morre pelo seu filho de estimação. Você se acostuma, se dói, se preocupa e se desespera por essa pequena vida que lhe foi confiada; nada é tão gratificante quanto tê-lo ali, contigo.
Só que todo esse ciclo tem um fim e eu também não imaginava como seria a despedida, já vi amigos perdendo seus animais de estimação e achei que eu não sofreria tanto, doce engano... Nenhum tipo de perda é aceitável ou dói menos, não ter seu melhor amigo ali contigo todo dia é desesperador, no início.
A Emma costumava sair enquanto eu não estava e voltava próximo ao meu horário de chegar, com isso, me acostumei a checar a garagem e o quintal, sempre que chego em casa. Procurei-a quando cheguei, nada. Um dia, dois. Uma semana. Disseram-me que era normal, gatos somem mesmo, mas eu sabia que ela não era disso e me desesperei em constatar que ela não voltaria mais; mesmo assim não deixei de checar minha casa, por costume. Hoje não olho mais, mas quando escuto gatos no telhado prendo a respiração para ver se reconheço o miado dela, é em vão, eu sei, mas é também involuntário.
Ela se foi, e o pior é não saber para onde, se está bem ou viva, sendo cuidada ou não. De qualquer forma, o amor que senti e aprendi com ela está aqui e ficará guardado para sempre no meu coração. Esse texto foi para guarda-la, o mais detalhadamente possível, na minha memória.
domingo, 30 de abril de 2017
Aspirante a escritora
Tentando me definir, aos vinte e poucos anos, me autodenominei
“aspirante a escritora” e comecei a pensar nisso. O que me faz, de fato, ser ou
não escritora é o simples ato de escrever sobre qualquer coisa. A princípio,
fiquei triste por pensar que meu único dom é algo simples, que pode ser
aperfeiçoado e dominado por qualquer pessoa, então continuei pensando a
respeito, sobre quantas pessoas realmente dão importância à escrita, se dedicam
e gostam disso e novamente me senti capaz de, em longo prazo, fazer a diferença
com isso.
Penso na trajetória que já percorri e no quanto ainda
falta, tento lembrar quando decidi me intitular tal coisa e quando o comecei a ser, na prática. Desde criança, os recreios passados na biblioteca,
semanalmente, a procura de em qual livro iria me aventurar, foram tantos amigos
que carreguei no peito, colo e mochila, que não sou capaz de lembrar todas
as histórias. Depois, arrisquei-me a começar a escrever vez ou outra sobre meus
dramas adolescente e eis que hoje releio e dou risada – mas também me orgulho
de como tão nova eu já conseguia deixar qualquer história banal dramática o
suficiente pra se tornar ficção.
Escrever é uma terapia, talvez para quem me leia, mas
principalmente para mim, que escrevo. Sou daquelas que faz listas sobre o que é
preciso comprar, o que precisa ser feito no decorrer da semana ou de coisas que
não posso esquecer. Tenho a ânsia de tirar da minha cabeça alguma coisa que só
sai, permanentemente, através da escrita. Seja algo superficial ou importante,
precisa ser dito, descarregado. Depois disso passa e quando, por acaso, releio
um escrito meu, dou risada de que aquilo tivesse me incomodado a tal ponto.
Incômodo esse que não necessariamente é algo ruim. Este texto é um exemplo disso. Talvez, de fato, eu não seja nada querendo ser alguma
coisa. Com absoluta certeza existem centenas de milhares melhores ou mais
corajosos que eu nessa arte. Não recebo nada em troca, além da paz que isso me
dá, alguns elogios sinceros e tantos outros superficiais. O fato é que discorrer sobre causos, verídicos ou inventados, é a pedra que eu vim a Terra
para lapidar. Em uma década de prática ainda não cheguei aonde desejo, mas
terei mais alguns pares de vinte anos para chegar lá.
Enquanto isso, eu escrevo sobre o que necessito ou
incomoda, o que motiva ou inspira. Escrevo sobre sonhos e vontades, medos e
verdades. Crio documentos que vão do anonimato à lixeira, invento histórias e
penso que, um dia, as publicarei. Entre uma vírgula e outra vou lapidando esse
dom e no percurso (e com sorte) vou tocando o coração de quem compartilha
desse mesmo amor comigo, que é poder brincar, se sensibilizar e ser curado
através de histórias e palavras.
segunda-feira, 20 de março de 2017
Amor em signos
Estava pensando sobre o amor.
Em uma conversa entre amigos, falávamos sobre os signos que
são apegados e os que são tachados de "sem coração"; quando eu,
taurina, comentei a respeito da minha experiência com um aquariano.
Na conversa, discutíamos acerca de como lidar com as
amizades com pessoas do sexo oposto, sair ou não sem o companheiro em uma
sexta-feira à noite, entre outras coisas. Comentei que, quando namorava, não existia
isso de "você não pode", ou "você não vai". Estávamos
juntos sem deixar de estarmos livres.
Um amigo – capricorniano – brincando disse que eu poderia
ministrar palestras às mulheres, para elas entenderem o que levei meses para
entender sobre amor e liberdade. Contei-lhe que aquilo foi um aprendizado e
tanto e que, a partir de agora, é pré-requisito indispensável para um relacionamento
futuro.
Comentamos, também, sobre homens que namoram, mas se veem
"obrigados" a conversar com amigas mulheres às escondidas, para
evitar brigas. Mal sabem suas namoradas que eles eram amigos dessas mulheres antes
de se tornarem seus namorados; e, além disso, quanto mais proibimos, mais
chances damos ao outro de mentir para nós.
Quando meu ex-namorado, aquariano, falava sobre alguma
amiga, ou quando eu – taurina – falava de algum amigo, era tão normal como
quando discutíamos o sabor da pizza que iríamos pedir ou escolhíamos o que
assistir no Netflix. E, devido a essas reflexões me vi, mais uma vez, pensando
sobre o amor.
Antes de tudo, amar não é sinônimo de estar junto a alguém.
Conhecemos muitos casais que sobrevivem de aparências e por comodidade, o que
nada tem de bonito. Conhecemos, também, tantas outras pessoas que se amam o suficiente
para estarem juntos, mas não estão.
Certa vez me disseram: "Amar é querer estar o tempo
todo juntos, não só quando se quer." Juro que, na ocasião, ri da
contradição do meu colega, afinal ele mesmo assumiu que, no fim das contas,
estar junto é uma questão de querer. Disse-lhe que o fato de uma pessoa querer
estar sozinha um dia, uma semana – ou o tempo que for – não anula o amor dela
por outrem.
Refleti sobre o amor pois, quando mais nova, pensava da
mesma forma que esse colega; que vinte e quatro horas por dia, sete dias por
semana, não é suficiente quando a gente ama. Porém, com o tempo, compreendi que
isso nada mais é do que falta de amor e interesse em si próprio, revelando o medo
da solidão que existe em toda e qualquer pessoa.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Magia de carnaval
Com tanta gente que odeia carnaval, inclusive eu que, por anos, torci o
nariz a respeito dessa festa, me dou ao direito de falar sobre e com, talvez,
propriedade no assunto.
Concordo plenamente que o Brasil tem questões maiores e mais importantes
a tratar do que mimar os gringos com as belas moças e as músicas baixas do
país, mas gente, sério mesmo, vocês não se sentem bem em um evento de carnaval, cantando
marchinhas?
Cheguei ao trio elétrico com aquela vontade de estar em casa dormindo ou
assistindo Netflix, confesso. Mas as pessoas têm uma energia tão boa, pura e
mágica que é impossível que alguma tristeza ou mau humor prevaleça.
Meia dúzia pega o celular para registrar o momento em redes sociais (assim
como eu e meu grupo de amigos), mas esses registros são superficiais perto dos
sorrisos sinceros que são distribuídos aqui.
Talvez seja porque eu sou apaixonada por gente e fique viajando no gesto
delicado, quase despercebido, de cada um aqui. No carnaval tem coisas ruins?
Infinitas. Mas deixe-me falar das boas:
·
Sorrisos constantes e involuntários entre pessoas
que nunca trocaram um oi;
·
Cumprimentos calorosos e abraços aos grupos
vizinhos;
·
Caça talentos de pessoas que têm um repertório de
músicas populares infinitos;
·
Caça talentos de dançarinos natos, que se dedicaram
a outras profissões em suas vidas;
·
Compartilhamento de lanche (ou bebidas), no estilo
piquenique;
·
Coreografias ensaiadas em casa com a família, funcionando
em perfeito sincronismo entre centenas de pessoas.
Dentre mil outras situações compartilhadas, que afetam de maneira
singular cada um que está ali. Alguns prestam mais atenção às pessoas, outros
às roupas e fantasias, outros prestam atenção nas músicas, alguns que vão
procurar um amor que dure após o carnaval.
A grande mágica desses dias é que até mesmo aqueles que vão para curtir
como se não houvesse amanhã (e/ou fazer uma lista quilométrica de bocas que
beijou) estão entregues a magia que pode acontecer. Se você abrir seu coração,
vai perceber que o calor humano presente ali não está somente no sentido
físico, vai além, todos ficam conectados como se fossem irmãos.
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